Por: Zé Carrapato
A BOLHA
Maria Nandrolona Casca, que o ano passado ficou conhecida por toda
a Europa desportiva por Nandrolona, concedeu esta semana uma
entrevista ao "A Bolha", onde fala de tudo e mais alguma
coisa.
A BOLHA- Senhora Nandrolona, então
explique lá o que se passa com os jogadores de futebol?
NANDROLONA- Como assim?! O que se
passa?
A BOLHA: Sabe desde o último ano
que os testes a substâncias proibidas têm acusado altos índices
de si no sangue dos jogadores, e como você é considerada uma
substância proibida, muitos futebolistas de craveira
internacional têm sido suspensos pelos organismos que dirigem o
futebol.
NANDROLONA: Para ser sincera, não
sabia de nada disso. Além do mais, desde que me separei do meu
marido, o Xico Casca, deixei de ser a modos que uma substância
proibida, se é que me entende. Depois, não tenho culpa que os
moços se viciem comigo. Sabe, desde pequenina, a minha mãezinha
que Deus tem, sempre disse que eu era uma moça muito dada.
A BOLHA: Está bem. Mas não acha
estranha toda esta situação?
NANDROLONA: Olhe, isto é mais ou
menos assim: a gente, por assim dizer, eu e os futebolistas,
conhecemo-nos e vamos tomar um copo ou qualquer cosa do género.
Depois logo se vê.
A BOLHA: E parece que o problema é
que quase sempre se vê.
NANDROLONA: Pois. E que culpa é
que eu tenho? Isto é tudo uma coisa muito natural, até os
bichinhos gostam. É como se fosse uma droga. Quanto mais a gente
toma, mais queremos tomar, verdade?
A BOLHA- De facto, parece que o
problema é mesmo esse. As autoridades consideram-na mesmo uma
droga, e ainda por cima ilegal.
NANDROLONA: Se calhar foi por causa
disso que os moços lá de Itália deixaram de me falar. Sabe,
também não fiquei muito chateada...
A BOLHA: Então porquê?
NANDROLONA: Porque cada vez que
saíam comigo, iam logo no dia a seguir para a televisão e para
os jornais dizer que não sabiam de nada, que nunca me tinham
conhecido, que a culpa não era deles, essas coisas. Eu cá não
sou uma substância proibida, como já lhe expliquei, mas também
não gosto que andem a falar assim de mim. E ainda por cima na
televisão...é um disparate, verdade?
A BOLHA: Depende do ponto de vista.
NANDROLONA: Bem, agora também era
o que faltava. Não vim para aqui falar de coisas privadas. Cada
um é como cada qual e cada qual tem os seus gostos. Agora o
senhor ponha- se no meu lugar...
A BOLHA: Quer trocar de cadeira
comigo?
NANDROLONA: Não, que disparate!
Você parece daqueles jornalistas que andou nas universidades
privadas e tirou o curso à custa de umas notas de conto. E além
do mais, esses sujeitos do comité olímpico, que consideram as
pessoas proibidas quando consumidas em excesso, deviam bater na
boca.
A BOLHA: E então porquê?
NANDROLONA: Então não foram esses
que receberam o dinheiro de Cabo Verde para fazer os Jogos
Olímpicos de Inverno no Sal? Sabe que Cabo Verde tem muitos
Mormons. Esses são pior que uma praga, mas têm muito dinheiro.
Também, podiam dar menos nas vistas. Como se na ilha do sal
nevasse! Ao menos podiam ir para o Pico, mas se calhar tiveram
medo que os Portugueses se lembrassem do Limão e do Está Calado,
aquele que era do Benficas, verdade?
A BOLHA: Que grande confusão a
senhora está a fazer. Os Jogos Olímpicos não vão ser na Ilha
do Sal, mas em Salt Lake City, nos Estados Unidos.
NANDROLONA: Ah! Está bem, pronto.
Também não é preciso falar assim.
A BOLHA: Bem, vamos lá ao que
interessa. E agora, o que pretende fazer a senhora em relação ao
problema?
NANDROLONA: Qual problema?
A BOLHA: Dos jogadores, senhora!
NANDROLONA: E o que é que eu tenho
a haver com isso. O problema é dos jogadores, não é meu! Agora,
se não se importa, vou-me embora. O Pedro Nãocorras está à
minha espera.
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